
Mercado 60+ no Brasil: o que está mudando?
O mercado 60+ no Brasil ganhou força com o crescimento da população com 60 anos ou mais. Dados da PNAD Contínua do IBGE mostram que esse grupo passou de 22,7 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2024, um aumento de 55,4% em 12 anos.
Em 2024, essa população já representava cerca de 16% dos brasileiros. E a tendência é de crescimento: projeções do IBGE indicam que o país poderá chegar a 75,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2070.
A expectativa de vida também aumentou e chegou a 76,4 anos em 2023, de acordo com o IBGE. Viver mais significa também passar mais anos consumindo, trabalhando, estudando, viajando e utilizando serviços.
Esse cenário transforma necessidades e cria novas oportunidades para empresas, profissionais e empreendedores. Neste artigo, você vai entender o tamanho do mercado 60+ no Brasil, o que é economia prateada e como o envelhecimento da população influencia o consumo, o trabalho e os negócios.
O que é a economia prateada?
A economia prateada é o termo usado para representar as atividades econômicas relacionadas às necessidades, aos interesses e aos hábitos de consumo das pessoas com 60 anos ou mais.
O conceito inclui produtos, serviços e experiências em áreas como saúde, tecnologia, turismo, educação, alimentação, serviços financeiros e moradia.
Na prática, não se trata apenas de criar produtos específicos. Também envolve adaptar serviços para que sejam mais fáceis, acessíveis e adequados a diferentes momentos da vida.
Um aplicativo com letras maiores e informações mais claras, por exemplo, pode facilitar o acesso sem ser exclusivo para pessoas mais velhas.
Mercado 60+ no Brasil vai além do consumo
O público 60+ não é formado apenas por aposentados ou consumidores. Muitas pessoas continuam trabalhando, empreendendo e participando ativamente da economia depois dos 60 anos.
Segundo dados do IBGE, o nível de ocupação das pessoas com 60 anos ou mais passou de 22% em 2012 para 24,4% em 2024.
Na prática, aproximadamente uma em cada quatro pessoas dessa faixa etária estava ocupada em 2024.
Os motivos são variados. Algumas pessoas precisam complementar a renda, enquanto outras desejam continuar ativas ou aproveitar a experiência profissional acumulada.
Esse cenário amplia a visão sobre esse público, que também pode ser profissional, empreendedor e responsável pelas próprias decisões financeiras.
Empreendedorismo também movimenta o público 60+
O empreendedorismo é outra parte importante desse mercado. Segundo levantamento do Sebrae, o Brasil tem cerca de 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos.
São pessoas que podem ter começado um negócio durante a carreira ou decidido empreender depois dos 60.
Para alguns, abrir um pequeno negócio é uma forma de complementar a renda. Para outros, representa uma oportunidade de transformar experiência e conhecimento em uma nova atividade.
Esse movimento também cria espaço para empresas que oferecem ferramentas, serviços e capacitação para quem deseja empreender nessa fase da vida.
Quais setores podem crescer com o mercado 60+?
As mudanças demográficas abrem oportunidades em diferentes áreas, principalmente naquelas relacionadas a uma vida mais longa.
Saúde e bem-estar: serviços de saúde, atividade física, alimentação, prevenção e cuidados pessoais.
Tecnologia: celulares, aplicativos, suporte e serviços digitais que facilitem as tarefas do dia a dia.
Turismo e lazer: viagens, passeios, experiências culturais e atividades para diferentes perfis de público.
Educação: cursos, oficinas, atualização profissional e aprendizagem de novas tecnologias.
Serviços financeiros: organização financeira, aposentadoria, crédito e planejamento para diferentes fases da vida.
Moradia: imóveis e serviços que ofereçam mais praticidade, acessibilidade e segurança.
As oportunidades não dependem apenas da criação de produtos novos. Melhorar um serviço existente também pode atender melhor às necessidades desse público.
O consumidor 60+ está mais conectado
A tecnologia também mudou a relação de parte do público 60+ com empresas e serviços.
Hoje, consumidores com 60 anos ou mais podem usar aplicativos de mensagens, fazer compras pela internet, acessar serviços bancários e buscar informações pelo celular.
Como a familiaridade com a tecnologia varia entre as pessoas, empresas precisam oferecer soluções fáceis de entender e usar.
Letras legíveis, informações claras e instruções simples ajudam a tornar as tarefas digitais mais acessíveis.
O atendimento também faz diferença. Ter alguém disponível para tirar dúvidas pode tornar a experiência mais tranquila.
Assista também: Guia prático de inclusão digital: aprenda a usar a tecnologia com mais autonomia e segurança
O que o consumidor da economia prateada valoriza?
O público 60+ não tem um único perfil. Existem diferenças de renda, interesses, rotina e relação com a tecnologia.
O Sebrae destaca a importância de adaptar atendimento, comunicação e experiência para acompanhar o crescimento desse público.
Na prática, ambientes bem iluminados, sinalização clara, acessibilidade e um atendimento acolhedor podem tornar a experiência de compra mais confortável e fácil.
A simplicidade também é importante. Processos com muitas etapas ou informações confusas podem dificultar uma compra ou a contratação de um serviço.
A comunicação deve ser adulta, clara e respeitosa, sem tratar pessoas mais velhas de forma infantilizada.
Segurança digital na economia prateada
O crescimento do uso da internet pelo público 60+ traz facilidades, mas também exige atenção aos golpes digitais e às fraudes.
Pessoas mais velhas podem receber mensagens falsas sobre bancos, benefícios, compras, encomendas e outros assuntos.
Os golpistas costumam criar situações de urgência para convencer a vítima a agir rapidamente.
Por isso, é importante desconfiar de pedidos inesperados de senhas, códigos, dados pessoais ou transferências.
Antes de clicar ou pagar, confirme a informação diretamente com a empresa ou instituição envolvida.
A segurança digital também faz parte da inclusão tecnológica. Saber usar uma ferramenta inclui reconhecer situações que podem representar um risco.
O que muda para o Brasil?
O envelhecimento da população cria novas necessidades e amplia as oportunidades para empresas, profissionais e empreendedores.
Para as empresas, o desafio é desenvolver produtos e serviços que acompanhem uma população que está vivendo mais e permanecendo ativa por mais tempo.
Para os profissionais, o cenário mostra que a experiência acumulada pode continuar sendo aproveitada depois dos 60 anos.
Para os consumidores, significa encontrar cada vez mais opções adequadas a diferentes momentos da vida.
A economia prateada representa, portanto, uma transformação relacionada à longevidade e à participação das pessoas mais velhas na economia.
Perguntas frequentes sobre o mercado 60+ no Brasil
O que é o mercado 60+ no Brasil?
É o conjunto de consumidores, trabalhadores e empreendedores com 60 anos ou mais, além das empresas que oferecem produtos e serviços para esse público.
Quanto movimenta o mercado 60+ no Brasil?
Segundo um estudo da consultoria Data8, a economia relacionada às pessoas com 60 anos ou mais movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil.
O que é economia prateada?
É o termo usado para descrever as atividades econômicas relacionadas às necessidades, aos interesses e aos hábitos de consumo da população com 60 anos ou mais.
Qual é a diferença entre economia prateada e terceira idade?
“Terceira idade” é uma expressão usada para se referir a uma fase da vida. Já a economia prateada é um conceito econômico relacionado aos produtos, serviços e negócios voltados às necessidades e aos interesses da população mais velha.
Como está o mercado de trabalho para pessoas com 60 anos ou mais?
A participação continua relevante. Segundo o IBGE, o nível de ocupação das pessoas com 60 anos ou mais chegou a 24,4% em 2024, contra 22% em 2012.
Quais setores podem se beneficiar do crescimento do público 60+?
Saúde, bem-estar, tecnologia, turismo, educação, serviços financeiros e moradia estão entre os setores com oportunidades relacionadas ao crescimento desse grupo.
É possível empreender depois dos 60 anos?
Sim. Pequenos negócios e atividades autônomas podem ser alternativas para complementar a renda, aproveitar conhecimentos profissionais ou iniciar uma nova atividade.
A economia da longevidade envolve apenas pessoas aposentadas?
Não. Ela também inclui pessoas com 60 anos ou mais que trabalham, empreendem, estudam, consomem ou já estão aposentadas.
