
Inteligência artificial do Google: Pinpoint agora é gratuito
A Inteligência Artificial do Google ganhou uma nova ferramenta acessível ao público geral: o Pinpoint. Antes restrita a jornalistas e acadêmicos, a plataforma agora pode ser usada gratuitamente por qualquer pessoa para organizar e analisar grandes volumes de documentos.
Segundo Jeremy Caplan, da newsletter Wonder Tools, o Pinpoint permite armazenar e analisar centenas de milhares de arquivos para encontrar "agulhas em palheiros digitais gigantescos".
Além disso, a ferramenta também consegue transcrever centenas de horas de áudio e vídeo, além de tornar pesquisáveis textos manuscritos, digitalizações e PDFs.
Como o Pinpoint do Google funciona na prática?
Depois que os arquivos são processados, é possível pesquisar, resumir e organizar as coleções, com uma interface baseada em pesquisa e organização de documentos.
Para começar, o usuário deve fazer upload de PDFs, e-mails, áudios, vídeos ou notas manuscritas.
Cada coleção pode ter até 200 mil arquivos, e não há limite para o número de coleções, que funcionam como pastas organizacionais.
Segundo Jeremy Caplan, usuários comuns contam inicialmente com 1 GB de armazenamento, enquanto jornalistas e acadêmicos podem solicitar o Pinpoint para profissionais com maior capacidade.
A documentação oficial do Google, porém, atualmente informa um limite de 100 GB para usuários do serviço.
Já cada arquivo de áudio ou vídeo pode ter até duas horas de duração e até 8 GB de tamanho, limites superiores aos encontrados em outras ferramentas de análise documental e IA, como o NotebookLM.
Cada arquivo de áudio ou vídeo pode ter até duas horas de duração e até 8 GB de tamanho.
Entre os usos sugeridos por Caplan estão exportar e-mails do Gmail via Google Takeout para identificar padrões, vasculhar gravações de áudio em busca de momentos-chave.
O autor também destaca o uso do Pinpoint para analisar grandes acervos públicos e identificar conexões ou padrões em grandes conjuntos documentais.
A ferramenta ainda conta com uma seção de coleções públicas. A aba "Explorar" permite examinar documentos de mais de 200 organizações de notícias, do The New York Times ao The Hindu. Entre os conjuntos notáveis estão registros do assassinato de JFK e arquivos judiciais de Mueller.
Recursos de IA em fase beta e comparação com o NotebookLM
O Pinpoint também testa novidades de inteligência artificial. Os novos recursos estão em fase beta, disponíveis em mais de 80 países, e nem todos funcionam de forma confiável ainda, segundo os testes do autor.
O foco principal do Pinpoint continua sendo a análise e organização de grandes acervos documentais. Além disso, a plataforma passou a incorporar recursos de IA generativa baseados no Gemini para responder perguntas e sintetizar informações encontradas nos documentos.
Entre as funções testadas estão a explicação de palavras e frases destacadas no documento, o resumo automático de arquivos e coleções inteiras, e a extração de dados para planilhas.
É possível extrair informações de até 100 documentos de uma vez, com links de volta ao texto de origem de cada ponto de dados.
Há ainda rotulagem automática de arquivos e geração de linhas do tempo, já que o usuário pode escolher até 100 arquivos para gerar uma linha do tempo, especificando um tópico se quiser.
Nem tudo funciona perfeitamente: o autor observa que a busca por palavras dentro do texto gera mensagens de erro de forma consistente nos testes realizados, e a rotulagem automática tem uma limitação prática, já que embora o Pinpoint possa rotular mil arquivos por vez, a interface só permitiu selecionar 100 arquivos nos testes.
Sobre a diferença entre as duas ferramentas do Google, Caplan resume: enquanto o NotebookLM é voltado para resumir, explicar e sintetizar documentos com recursos de IA generativa, o Pinpoint prioriza a organização, pesquisa e análise de grandes acervos documentais.
Na prática, o Pinpoint suporta coleções muito maiores do que o NotebookLM, chegando a até 200 mil arquivos por coleção.
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Privacidade e limitações do Pinpoint
Em relação à privacidade, os documentos enviados são privados, a menos que o usuário publique a coleção, e os arquivos não são usados para treinar modelos de IA, segundo declaração oficial do Google.
Ainda assim, o autor pondera: como os uploads são processados nos servidores do Google, o Pinpoint pode não ser adequado para todo tipo de conteúdo ou usuário.
Entre as limitações apontadas estão a ausência de aplicativo móvel completo, a falta de integração direta com o NotebookLM e os limites de armazenamento para contas gratuitas.
Não há aplicativo móvel, os documentos podem ser visualizados no navegador do celular, mas nem todos os recursos funcionam, e ainda não existe integração entre os dois serviços, o que impede mover arquivos facilmente de um para o outro.
O Pinpoint já está disponível no Brasil
A ferramenta também está disponível no Brasil. Desde agosto de 2021, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) atua como curadora do projeto no país, com dezenas de coleções e mais de meio milhão de arquivos de interesse público, incluindo documentos da CPI da Pandemia.
O suporte ao português também é nativo: O Pinpoint utiliza OCR para identificar texto em diversos idiomas e oferece transcrição de áudio em idiomas compatíveis com a plataforma.
Para criar coleções próprias, o único requisito é ter 18 anos ou mais e uma Conta do Google pessoal, escolar ou de trabalho — não há restrição de país.
Esse conteúdo foi elaborado com base em reportagem de Jeremy Caplan, publicada na newsletter Wonder Tools, complementada por informações da documentação oficial do Google.
