
Golpe da falsa central: como funciona e como se proteger
O golpe da falsa central começa, muitas vezes, com uma ligação ou mensagem que alerta sobre uma suposta compra ou movimentação suspeita na conta.
Aproveitando a preocupação da vítima, criminosos se passam por funcionários de bancos e tentam convencê-la a seguir instruções para supostamente proteger o dinheiro.
Nesse conteúdo, você vai entender como funciona o golpe da falsa central, conhecer as principais estratégias usadas pelos criminosos e saber o que fazer caso receba uma abordagem desse tipo.
Você também verá como agir rapidamente se realizar uma transferência ou Pix durante a tentativa de fraude.
O que é o golpe da falsa central bancária?
O golpe da falsa central é uma fraude em que estelionatários entram em contato com clientes simulando ser da área de segurança ou gerência do banco.
A abordagem pode ocorrer por ligações, mensagens de texto ou aplicativos de comunicação. Os criminosos também podem usar recursos que simulam números oficiais e elementos visuais das instituições.
Para gerar urgência, os criminosos informam sobre uma transação alta ou suspeita que precisaria ser cancelada imediatamente.
A vítima é então induzida a realizar transferências para contas "seguras" ou a digitar senhas e dados confidenciais.
Como os criminosos manipulam as vítimas no golpe da falsa central?
Os golpistas utilizam informações reais da vítima, como CPF e dados bancários, para transmitir legitimidade durante a conversa.
Ao criar um cenário de pânico, a abordagem explora a sensação de ameaça imediata ao patrimônio e tenta levar a vítima a agir sem tempo para verificar a informação.
Dependendo da abordagem e do acesso obtido pelos criminosos, o prejuízo pode envolver o saldo em conta, o uso do cheque especial e até a contratação de empréstimos sem autorização da pessoa enganada.
Mensagens e áudios podem orientar o cliente a realizar procedimentos no próprio aplicativo do banco que, na verdade, autorizam o envio do dinheiro aos criminosos.
Leia também: Golpe do Desenrola Brasil: Como proteger seu nome e CPF
É possível recuperar o dinheiro perdido na fraude?
A recuperação do dinheiro depende das circunstâncias de cada caso e da rapidez com que a vítima comunica a fraude à instituição financeira. Por isso, ao perceber que caiu no golpe, entre em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais.
Se o prejuízo ocorreu por meio de um Pix, informe a instituição financeira imediatamente e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O pedido pode ser registrado em até 80 dias após a transação.
O caso será analisado e, se a fraude for confirmada e houver recursos disponíveis na conta do fraudador, os valores poderão ser devolvidos integral ou parcialmente, conforme as regras do Banco Central. A devolução, porém, não é garantida.
Também é importante guardar comprovantes das transações, mensagens, áudios, números de telefone e outras informações relacionadas ao contato com os criminosos. Esses registros podem ajudar na análise do caso.
A vítima também pode registrar um boletim de ocorrência e acompanhar o andamento da contestação diretamente com a instituição financeira.
Como se proteger contra a ação de falsos atendentes?
Ao receber uma ligação ou mensagem sobre uma suposta transação suspeita, encerre o contato e procure o banco pelos canais oficiais.
Bancos não solicitam transferências, pagamentos ou instalação de aplicativos de acesso remoto para "cancelar" compras.
Desligue a chamada: não forneça senhas, tokens ou códigos de validação por telefone.
Não instale programas: evite baixar aplicativos indicados durante ligações suspeitas.
Utilize o aplicativo oficial: abra o aplicativo do seu banco ou ligue para o número impresso no verso do cartão para checar a informação.
O que o STJ disse sobre o golpe da falsa central?
O STJ já julgou casos desse golpe com conclusões diferentes. Em linhas gerais, a análise considera se houve falha na prestação do serviço e se existe relação entre essa falha e o prejuízo.
Em outubro de 2025, a 3ª Turma do STJ reconheceu a responsabilidade de bancos e instituições de pagamento em dois casos nos quais foram identificadas falhas nos mecanismos de segurança.
As decisões consideraram que transações muito acima do padrão de consumo dos clientes deveriam ter acionado mecanismos de proteção e alertas de segurança.
Nesses casos, o tribunal aplicou o entendimento de responsabilidade objetiva das instituições financeiras, segundo o qual pode haver responsabilização independentemente da comprovação de culpa quando há falha na prestação do serviço.
Já em julho de 2026, a 3ª Turma negou indenização a uma cliente em outro caso, por entender que não houve falha comprovada do banco: a instituição não deixou de identificar operações incompatíveis com o perfil da cliente, e o tribunal de origem concluiu que a fraude decorreu de culpa exclusiva da vítima e de terceiros.
Ou seja, o STJ não decidiu que os bancos "nunca respondem" nem que "sempre respondem" pelo golpe da falsa central.
A responsabilização depende, caso a caso, de haver falha demonstrada na prestação do serviço, como a não identificação de operações incompatíveis com o perfil do cliente ou a insuficiência dos mecanismos de segurança.
Quando não há essa falha e a fraude resulta de culpa exclusiva da vítima ou de terceiros, a indenização pode ser afastada.
Perguntas frequentes sobre o golpe da falsa central
Golpe da falsa central de atendimento tem ressarcimento?
O ressarcimento pode ocorrer, dependendo das circunstâncias de cada caso. Quando é identificada uma falha na prestação do serviço, como a ausência de mecanismos de segurança capazes de detectar operações incompatíveis com o perfil do cliente, a instituição financeira pode ser responsabilizada.
Por outro lado, quando não é identificada falha na prestação do serviço e fica caracterizada a culpa exclusiva da vítima ou de terceiros, o ressarcimento pode ser afastado.
Os bancos solicitam senhas para cancelar compras?
Não. Nenhuma instituição financeira pede senhas, códigos PIN ou transferências Pix para efetuar o cancelamento de transações.
Afinal, como evitar o golpe da falsa central?
O golpe da falsa central usa situações de urgência e informações que parecem legítimas para induzir a vítima a realizar operações financeiras ou compartilhar dados.
Para se proteger, encerre contatos suspeitos, não forneça senhas ou códigos e confirme qualquer alerta diretamente pelos canais oficiais do banco.
Se houver uma movimentação não reconhecida, comunique a instituição financeira imediatamente e, em caso de Pix, solicite a análise pelo MED.
